“Keep calling on the phone”

25 setembro, 2008

Camila abre a porta, e uma luz amarela derrama-se pelo corredor, iluminando sem mostrar, deixando espaços para a imaginação. “You walking on me”, canta com classe e aquela confiança tímida de starlet. Seduzindo como se aquilo tudo não fosse com ela, é cortejada pela instrumentação, um som por vez, abrindo passagem para seu desfile triunfal pela sala. Então, com a mesma classe e elegância, muda de rumo, reclamando do rapaz que “keep calling on the phone”.

É assim que se chega à segunda parte do remix que o trio canadense Born Ruffians aprontou para “Keep Cooler”, canção do grupo brasiliense Nancy. De banda instrumental, o Nancy foi transformado completamente com a entrada de Camila Zamith, que com a própria voz impõe novas estruturas e dinâmicas para a banda – como diria Guilherme Barrella (do selo Open Field/ Peligro) sobre o lançamento do segundo EP do grupo, As Doença, “black metal para namorar”.

Uma das últimas canções compostas para o álbum inédito Chora, Matisse, “Keep Cooler”, a original, é um exemplar perfeito da capacidade da banda em manter sua música entre a experimentação e a elegância – tocou na BBC, foi lançada em site gringo, circulou por blogs do mundo todo.Com nome de bebida alcoólica para adolescente e com gosto de champanhe caro, a canção é feita de guitarras, mudanças de andamento, instrumentação variada, e Camila conduzindo tudo, cantando impetuosamente, desafiante.

Os Born Ruffians fizeram inverter tudo, a começar pelas partes da canção. Aqui ela começa pelo fim, enquanto vemos o Camila dialogar consigo mesma, naquele desfile do primeiro parágrafo. Boteco em Las Vegas, cantora de jazz dos anos 50, rodinha de violão, hit indie de reunião em apartemento – os Ruffians acentuam, ao mesmo tempo, a intimidade e a sensualidade da canção, que é ao mesmo tempo lamento, chamada e reflexão. O truque no remix é equilibrar todos essas tonalidades de Camila e lhe fazer uma cama parecida com o instrumental da original, substituindo a estranheza por elegância.

Quando a garota canta para que você “feel lucky that I never stopped until I know/ And I don´t know…”, já ganhou – simpatia, coração e ouvidos do mais desavisado que cruzar com ela. As sutilezas compõem-se todas e a canção vai terminar num tour-de-force de coração quebrado e sussurros vocais dobrados. E quando você percebe que “I prayed it was over” é a senha para o fim da canção, percebe que vai ter que apertar o play de novo.

[DOWNLOAD] – Nancy – Keep Cooler (Born Ruffians Remix)

6 Respostas to ““Keep calling on the phone””

  1. caê Says:

    isso é muito lindo.

  2. katianogueira Says:

    eu quero a sua crítica do coração do disco da Mallu!

    folk this NOW!

    =****

  3. stan molina Says:

    “Com nome de bebida alcoólica para adolescente e com gosto de champanhe caro” é zuado.

  4. stan molina Says:

    tens o ‘Chora, Matisse’ aí pra passar pros irmão?

  5. Talita A. Says:

    Keep Cooler de pêssego.

  6. Natália Says:

    adorei seu poster.


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